
Feira de Santana movimenta R$ 3,4 bilhões por mês em Pix. Sua marca sabe disso?
A segunda maior cidade da Bahia é um polo comercial que abastece o sertão inteiro. O NexOS mostra o que nenhum relatório de mídia conta.
Se você é planejador de mídia e alguém te pede uma campanha na Bahia, onde você olha? Salvador. Talvez Ilhéus ou Porto Seguro no verão. Feira de Santana provavelmente não está no seu radar.
Deveria.
Feira de Santana é a segunda maior cidade da Bahia, com 616 mil habitantes e uma economia que movimenta R$ 3,4 bilhões por mês em transações Pix — mais de 20 milhões de transações mensais. É classificada pelo NexOS como “Riqueza Estável” com alto poder de consumo. Tem crédito per capita de R$ 12.623 e uma rede de mídia local com 23 veículos ativos cobrindo online, rádio, impresso e TV.
E no entanto, a maioria das agências de São Paulo não sabe apontá-la no mapa.
Encruzilhada do Sertão Vivo
É assim que a Trama do NexOS batiza Feira de Santana: Encruzilhada do Sertão Vivo. Cidade-feira, ponto de encontro de estradas, caminhões e gente do sertão inteiro. A vida aqui gira em torno das encruzilhadas — de rodovias, de fé, de comércio e de sonhos de quem chega e de quem fica.
A economia concreta pulsa em três frentes: comércio (lojas de confecção, calçados, eletro, atacados que abastecem cidades menores), serviços (faculdades, hospitais, call centers) e informalidade (vendedores de cosmético por catálogo, cozinheiras de quentinha, motoboys, trancistas, barbeiros). Muita gente vem da zona rural e de cidades vizinhas só para “fazer a feira do mês”.
Os números que as plataformas não mostram
| Indicador | Valor | O que significa |
|---|---|---|
| População 18+ | 465.736 | Maior que muitas capitais |
| Pix mensal | R$ 3,4 bilhões | Economia digital pulsante |
| Renda média responsável | R$ 2.201 | Classe média estabilizada |
| Crédito per capita | R$ 12.623 | Capacidade de financiamento |
| Domicílios chefiados por mulheres | 54% | Mulher é decisora de compra |
| Bolsa Família | 35% das famílias | Base de consumo de necessidades |
| Perfil NexOS | Riqueza Estável | Não é emergente, é consolidada |
| Veículos de mídia | 23 ativos | Oásis — cobertura completa |
Quem vive em Feira: os 465 mil adultos
Os arquétipos familiares revelam a composição real:
| Arquétipo | Pessoas | % | Oportunidade |
|---|---|---|---|
| Jovens casados sem filhos | 72.412 | 15,6% | Fintechs, moradia, mobilidade |
| Casados com filhos adolescentes | 56.613 | 12,2% | Educação, tecnologia, roupas |
| Idosos casados | 57.053 | 12,3% | Saúde, previdência, turismo |
| Monoparentais | 46.453 | 10,0% | Benefícios, saúde, educação pública |
| Solteiros | 32.440 | 7,0% | Delivery, streaming, conveniência |
| Filhos pequenos | 28.124 | 6,0% | Fraldas, higiene, supermercado |
São 46 mil mães e pais solo. 72 mil jovens casais começando a vida. 57 mil idosos casados. Cada número é um público com necessidades específicas que uma segmentação “adultos 25-54” transforma em ruído.
As marcas que deveriam estar em Feira (e não estão)
Cruzando os dados de consumo, demografia e vocação territorial, estas são as categorias com maior potencial inexplorado:
Financeiro e Fintechs
72 mil jovens casados começando a vida + R$ 3,4 bi/mês em Pix + crédito per capita de R$ 12.623. Feira é terreno fértil para bancos digitais, fintechs de crédito, seguros, consórcio e investimento. Nubank, C6, Inter, PagBank — quem chegar primeiro com linguagem local ganha. O Pix já é infraestrutura: parcelamento via Pix, desconto à vista, cobrança por QR code no mercadinho.
Educação
56 mil famílias com filhos adolescentes + circuito de faculdades e cursinhos. Plataformas de ensino, cursos técnicos, preparatórios para concurso, graduação EAD. Feira já é polo educacional do interior baiano — quem ampliar a oferta com comunicação territorial ganha escala sem competir com Salvador.
Saúde
57 mil idosos casados + 15 mil idosos sozinhos + rede de hospitais e clínicas. Planos de saúde, farmácias, saúde domiciliar, telemedicina. Unimed, Hapvida, Drogasil — o público está ali, com renda estável e necessidade crescente.
Alimentos e Supermercados
54% dos domicílios chefiados por mulheres — a decisora de compra da casa. Redes de supermercado, atacarejo, aplicativos de delivery de mercado. Assaí, Atacadão, iFood Market — Feira tem volume e frequência de compra para justificar presença dedicada.
Automotivo e Mobilidade
Polo rodoviário com frota intensa — oficinas, borracharias, autopeças vivem da frota que corta a cidade. Montadoras, concessionárias, apps de mobilidade, seguro auto. O entroncamento BR-101/BR-116 faz de Feira um hub logístico natural.
Moda e Beleza
Comércio de confecção e calçados é o coração econômico. Salões de beleza e barbearias sustentam famílias inteiras. Marcas de fast fashion, cosméticos, cuidado pessoal — Boticário, Natura, Renner, Riachuelo — têm base de consumidoras que já compra por catálogo e WhatsApp.
Agro e Insumos
Cidade-feira que abastece o sertão. Em épocas de vaquejada e feira agropecuária, o consumo sobe. Marcas de insumos agrícolas, suplementos animais, equipamentos rurais — o público está nas feiras livres e nos postos da BR.
A mídia que funciona em Feira
A Trama revela os canais reais:
Acorda Cidade — 30 anos de rádio matinal na Rádio Sociedade News 102.1 FM (a mais antiga do interior da Bahia, 76 anos). Portal com 50 milhões de acessos/ano. Fundado por Dilton Coutinho, é a referência diária de informação, serviço e mediação pública. Parceiro da Rede Alright com inventário programático disponível — ou seja, é comprável via DV360 para qualquer agência do Brasil.
Além do Acorda: Jornal Grande Bahia, Feirenses, Tribuna Feirense (impresso), 8 rádios, TV Subaé. Feira tem 8,6 pageviews locais per capita — audiência digital concentrada em veículos do território.
A combinação ideal: rádio local pela manhã (6h-9h, enquanto o comerciante abre a loja e a diarista pega o ônibus) + carros de som no centro e bairros + WhatsApp com listas de bairro + Acorda Cidade via programática para escala digital. Tudo isso com dados de audiência real, não estimada.
Janelas de ativação
A Trama mapeia os melhores momentos:
- Manhã de quarta e sábado — feira livre mais cheia, comércio pulsando
- Meio-dia às 14h — restaurantes e marmitarias do centro lotados
- Fim de tarde (17h-20h) — moradores voltando para casa, calçada vira sala de estar
- Sexta e sábado à noite — bares, música, entretenimento
- Micareta, São João, vaquejadas — o consumo explode, a cidade vira corredor de festa
Por que Feira é invisível para as agências
O apagão territorial da mídia explica: quando o Google Ads conhece pouco mais de mil cidades e os painéis de audiência nacional olham só para capitais, cidades como Feira de Santana simplesmente somem. Não porque não têm público — têm 465 mil adultos. Não porque não têm mídia — têm 23 veículos. Não porque não têm dinheiro — movimentam R$ 3,4 bilhões por mês em Pix.
Somem porque ninguém olhou.
O NexOS existe para que alguém olhe. E o que se vê em Feira de Santana é uma Encruzilhada do Sertão Vivo — onde R$ 3,4 bilhões por mês circulam entre feiras livres, mercadinhos, salões de beleza e postos de gasolina, esperando marcas que entendam que estar presente não é comprar impressão. É entender o território.
Este artigo faz parte da série Tramas — inteligência territorial como método. Os dados de Feira de Santana podem ser explorados na plataforma NexOS. Fontes: Censo IBGE 2022, Atlas da Notícia, Banco Central (Pix), Acorda Cidade, Rede Alright.